Sonhou a terra e nasceram os poetas. Tantos temas de amor! Tantos profetas! Fala-me de amor poeta, hoje há luar. Há pouco o sol nasceu e me acordou, longo vai ser o dia e ainda não passou. Consumo a claridade que me consome. Resisto.
Sexta-feira, 2 de Novembro de 2012
Os demónios

 

 

 

 

 

 

 

  

Rejubilaram os povos

As nações uniram-se em paz

Ficou tudo escrito

Ficou tudo dito.

 

Juntaram-se as raças

E veio o calor

E veio o amor

A terra gerou

Para os aflitos com fome

O pão

Com o algodão

Cobriu os nús.

 

Os demónios acordaram

Vislumbraram a paz

Não gostaram

Distorceram mentes

Malevolamente mostraram

Como exemplo

Os animais irracionais

Que não são iguais.

 

Gerou-se o conflito

Deu-se o dito

Por não dito

Os povos aflitos

Ficaram sem pão e nús.

 

Os demónios venceram

Dormiram em paz.

 

Aida Nuno

 


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Sexta-feira, 28 de Outubro de 2011
A Voz das Palavras

                                        

A voz das palavras
Escritas, faladas dominam
Convictas e firmes ressoam
Induzem multidões
Puras e impuras se entrelaçam.
 
Coordenadas cruzando-se constantes
Gritam transportando a voz
Flúem como água! Libertas!
Sem margens. Nem alinhamentos
Louvado seja o Senhor por este dom!
 
Frágeis sussurram o amor
Desordenadas criam a paixão
Imploram o segredo. Servas!
Jogam com a luz, criam a ilusão
Trémulas, inseguras envelhecem
Sábias se aquietam já sem som.
 
                               Aida Nuno
                 
                                                                      

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Sábado, 17 de Setembro de 2011
Mocidade

 

      
              
        Deixa-me pensar
           Que sou ainda aquela
        Que olhava o espelho
        Como se abre uma janela.
 
        O espelho reflectia
        Tudo o que eu queria
        Nas cores rosáceas
        Da luz que eu inventava.
 
        Brilhavam os meus olhos
        Soltava-se a alegria
        Era minha a mocidade
        Como louca ria, ria.
 
        Nas sombras da noite
        Eu via estrelas
        O orvalho da madrugada
        Não me tocava
        Nas ondas bravas eu via o mar
        Beijando a areia
        Nos muros de chuva eu sentia o sol
        Que me beijava
        Com o sol eu me queimava
        E ria do amor que tu me davas.
 
        Deixa-me pensar
        Que sou ainda aquela
        Que olhava o espelho
        E não via as sombras
 
        Aida Nuno

 


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Domingo, 22 de Maio de 2011
Amanhã

 

 

 

 

Num dia, longínquo e indeterminado nasceu a terra
Milhões de anos, sobrevivência, vida e morte
Morte e vida. Transformação
Crescei e multiplicai-vos. Assim foi feito
Crescei e matai-vos. Assim foi feito
Quem o disse? Não sei
Num mundo secular, repetitivo até à exaustão
Agarro-me como posso a alguma sabedoria
Mais uma ilusão tardia! Tenho de acreditar em mim
Chega o pôr-do-sol e logo é noite
Fico extasiada, incomodada, dilacerada também
Observo os dias, crédula, incrédula
Tal relógio dando horas, até parar sem corda.
 
Olho para trás e vejo nitidamente
A velhice surgir demasiado cedo
A pele, este invólucro de má qualidade não perdoa
Não se concilia comigo. Quem me desnuda?
Para quê? Rio-me de mim, das minhas fantasias
Breve é a vida e eu sempre a teimar viver o amanhã
Para a semana, no próximo mês, no fim do ano, talvez para o ano
É no hoje que vivo e é no hoje que vou morrer
Amanhã, sempre o amanhã, como um vício o tempo rasgo.
 
Acabei como tudo e todos. Serei reciclável?
Muda, marcada por tudo que vivi e não vivi
Pertenço-me integralmente! Ninguém me alcança já
Quem me observa? Quem curiosamente me observa?
Ninguém queira saber quanto chorei ou ri
Ninguém ouse argumentar sobre a minha felicidade
Ou comovidamente dizer o que sofri
Quem sabe de mim? Ninguém, mesmo ninguém
A alma restou calada, o corpo foi morrendo
Hoje parou só, sem corda. Inevitável!
As vossas palavras são inúteis, distraídas, nada traduzem
Meditareis talvez sobre o tempo que vos resta
Ofereço afinal alguma sabedoria a quem a quiser guardar!
É gratuita.
 
Tenho pena de alguns gestos retidos,
Beijos contidos, olhares parados
Dias vazios, sem planos, sem amor, sem nada
Nada de nada é o termo
Andei distraída, confundida, apressada
Sempre o relógio a marcar o meu tempo inquieto!
Vivi num paraíso de palavras
Amanhã se verá! Não é? Sempre o amanhã…
 
Aida Nuno O3.04.2008
 

 


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Domingo, 2 de Dezembro de 2007
Sol de Inverno

 

 

Cubro-me com o meu lençol

E sou fantasma

Cubro-me com as minhas mãos

E sou pudor

Deixo os meus olhos bem abertos

Inquietos são os dias sem amor.

 

 

Entro no nevoeiro e adormeço

Oiço murmúrios, risos, lágrimas

Suspiro em vão!

 

 

Busco a luz do sol e é Inverno.



 

Aida Nuno


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Domingo, 28 de Outubro de 2007
A Pedra
No meio do meu caminho
Tenho uma pedra
Uma pedra fria, rugosa
Impenetrável
Delicadamente
Peço-lhe para se desviar
A pedra permanece
Imutável, silenciosa
Impassível
Contorno-a delicadamente.
 
Eu Insisto
Não desisto
Todos os dias
Passo pela pedra
Delicadamente
Peço-lhe para se desviar
Do meu caminho.
 
Não vou desistir
Se a pedra resistir
Imutável, silenciosa
Impassível
Eu vou pedir
Delicadamente a alguém
Para me ajudar.
 
Alguém virá
Com mãos delicadas
Ou calejadas
Ajudar-me-á
A remover a pedra
Fria, rugosa
Impenetrável
Do meu caminho.
 
O âmago da questão
Será resolvido delicadamente.
 
Aida Nuno
 
 


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Terça-feira, 24 de Julho de 2007
Dá-me a tua mão



Dá-me a tua mão para eu sonhar
Vou ver contigo os campos verdejantes
As cascatas sussurrantes e, nas copas das árvores,
O esvoaçar dos pássaros.

Dá-me a tua mão e leva-me a ver o Tejo
Nos veleiros deste sonhar
Vou velejar no alto mar sentindo os teus beijos.

Se nesta ilusão confundir a terra com o mar
O verde com os pássaros
É no desejo de sentir o calor dos teus braços.

É assim nesta ambição de ver mais além
Que eu caminho neste desatino de querer mais ser
De ter a minha mão na tua mão.


Aida Nuno

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Sexta-feira, 6 de Julho de 2007
Meu Filho Primeiro

  

  

O meu pensamento percorreu oceanos

Onde as estrelas se banhavam

Com a sua claridade vi no firmamento

Árvores e frutos de oiro baloiçando

Vi crianças, fadas, anjos de mãos dadas

Tudo e todos queriam partilhar a minha alegria.

  

Afaguei o meu ventre e sorri

Meu filho vai nascer!

Terá  olhos azuis como os botões daquela árvore

Inteligência e carácter não lhe vão faltar

Será bonito por dentro e por fora.

  

Nasceu de madrugada

Quando a vida parece estar dormindo

Ele ali estava

Como eu o queria, como eu o imaginava.

  

A vida é como um rio, está sempre a correr

As amarguras sim, param a vida

Para nos ver sofrer

Mas tu, meu filho, meu amor, és o meu leito

Quando eu quero repousar.

 

Obrigada, meu filho, pela tua companhia.

 


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Domingo, 17 de Junho de 2007
Pássaro Azul

  

Sabes conter as nossas mágoas

Seguras bem o leme!

Homem que és o meu navio

Quando o meu corpo treme.

 

Afogam-se as ilusões

E a nossa fantasia

As mágoas trazem a noite

Quando ainda é dia.

 

Vai meu amor...deixa-me ficar

Já não há porto

Não ha mar

Não há navio.

 

O pássaro azul voou

No chão do espaço

No azul do céu se esfumou

Não deixou rasto.

 

                                                 Aida Nuno

 

 


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Terça-feira, 12 de Junho de 2007
Ciclo da Fome



Só a terra dá o pão

Ao homem do cajado.

 

À sombra sentado estava o velho

Olhando cansado a imensidão do nada

Pelo pó dos anos tremiam-lhe já as mãos

E as pálpebras dobradas.

 

Olhou o chão da terra sublevada

Seca e árida que o sol queimava.

 

Fechou então os olhos e sonhou

Com searas ondulando ao sol

Ao sabor do vento

Com espelhos de água

Ficou no seu silêncio para se escutar.

 

Lá longe vem o filho sobre si dobrado

Igual ao pai calado que espera a chuva

Que molhe a terra dos pobres de ninguém.


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Sexta-feira, 25 de Maio de 2007
Elevação

 

 

  

Chama-me o vento

Chama-me a chuva

Em sons que eu não entendo.

 

 

Hoje o sol nasceu no meu olhar

Brancas são as nuvens viajantes

Arrebatando o meu corpo rumo ao mar.

 

 

Inexistente sou

Voando tão alto!

                                       Aida Nuno

 


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Esta terra onde habitas



Nunca ninguém diga que foi o primeiro

A desbravar a terra de ninguém.

 

Tudo isto é nosso e de ninguém foi

Terra bravia, indomável e astuta

Perece contínuamente o homem

Nada escuta, na ânsia de vencer.

 

Amando, protege a casa onde habita

Domina os ventos, segura as marés

É tudo  e neste todo ele acredita

E, na realidade, nada é...

 

Foge-lhe o tempo, o momento que já era

Desespera, agita o gesto e grita:

Hoje não quero pensar! Quero ser feliz!

Vêem o meu futuro? Nasceu e é Outono!

Quem me dera um dia ver-te em flor!

 

A sua alma está nua e assim respira

Como a esperança de um ribeiro

Esperando chegar, em breve, ao rio, ao mar.

Ser o primeiro...

                                                                     

                                                                                          Aida Nuno


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Ilusão

  

  

 

    Numa jangada feita de madrugadas

    Segura firme o Homem os seus remos          

    Só à deriva com a natureza - o mar -    

    Espera a calma vaga 

    Em vão!

                                          
 

    Sufoca a fome e rema

    Afoga a sede e rema

    Rebelde esquece a solidão.

    Em vão!

    O sal oferta do mar queima

    E o Homem incansável 

    Sem nada vislumbrar além do mar

    Rema e envelhece.


                                                                            

    A terra firme espera-o.

 

                                                             Aida Nuno


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Segunda-feira, 21 de Maio de 2007
Que Futuro?

 

Quebrando as ondas, desmaias em brandura

Intranquila é a nudez com que te vestes

Em praias descrentes de novos horizontes

Diz-me para onde elevas o teu olhar?

Qual a esperança que ainda te impulsiona?

 

Alerta! Alerta, em espanto, eu escuto

As preces, as dores que te acompanham

Como te choro! Oh terra seca e árida!

Esperando, convicta, ver do céu cair a água.

 

Da terra rumo ao mar. Tantas miragens!

Sabem a sal as lágrimas doces de amargura

Continuaremos derrotados pela barbárie

Levantam-se muros indiferentes de loucura.

 

Tempo de milagres e rezas. Crenças!

Continuam cercando a lucidez das almas

Conquistas imutáveis! Quem sangra?

De joelhos, de mãos postas, nesta espera?

 

                                                           Aida Nuno

 


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Quarta-feira, 2 de Maio de 2007
Interrogações

    

 

 

 

  

Cada um de nós é um Mundo, mas não nos conhecemos

Nós que procuramos o conhecimento a cada instante

Cada momento nosso compreende vida única, talvez sem fim

Cada segundo, um a um,

Contém o insondável mistério da existência

Nascente de todas as nascentes!

 

Originalmente parece que tudo está bem, tal como é

No entanto, não somos nada, tal como somos.

 

A cada instante posso regressar

À minha alegria ou à minha tristeza

Basta um lugar, uma palavra, um chilrear de pássaros

Insustentável realidade que me sufoca

Muitas coisas mais eu não comando, nem ninguém…

Serei eu, tudo o que está dentro de mim?

Ou serei só uma partícula do Universo

Ínfima e insignificante

Talvez, para além do que eu entendo, seja importante…

 

Constantemente o meu coração verdadeiro e confuso bate

Na ânsia de saber onde tu estás, o que sou, para onde vou

Compreender…

É esta a minha esperança, a minha luz

Nascente de todas as nascentes!

 

                                                           Aida Nuno 


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Sábado, 28 de Abril de 2007
Imagens
O cansaço tomou-me, deslaçou-me
Vou ficar nesta lassidão
De nada ver, de nada querer
Como alguém que desfalece
Cai de borco e fica morto.

Abro os olhos devagar
As paredes do quarto
Ainda lá estão
Com retratos suspensos
Por um fio
Neste vaguear vazio sinto
Recordação a recordação
Que eu retive
Como novelos de aço
Que eu não deslaço
Onde estão agora os bibes?

Fugiram as crianças
Deixaram de brincar
Ficaram as imagens
De momentos, de paisagens.

A Vida sempre a seguir
Indiferente aos meus desejos
Sentir na minha face inocentes beijos
Vou virar a almofada
Estou tão cansada!
Quero dormir.

                                                Aida Nuno

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Quarta-feira, 18 de Abril de 2007
Tão ao de leve...

 

 

    

Deixo-me esvoaçar…Não tenho asas

Ao de leve vou. Tão ao de leve

Mergulho o meu olhar noutro tão breve

Breve é a nuvem que tão leve passa.

  

Onde vais gaivota em voo tão leve?

O céu na noite azul, tem luz vinda da terra

A noite em brancas asas assim me encerra

Quem esvoaça? O grito? A luz? As asas?

 

Dou o grito à noite. Da brisa me alimento

A lágrima essa secou, levou-a o vento

Por mim a gaivota desdobrou as asas.

 

No céu da noite azul eu vou voando.

Uma leve brisa vai por mim passando

Por mim a gaivota desdobrou as asas.

 

 

                                        Aida Nuno 

 


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Sexta-feira, 6 de Abril de 2007
Bagatelas

 

 

 

Não me peças para te ler os meus poemas

Eu quero, por agora, que sejam só meus

Um dia, de tanto os ler, hei-de pensar

Que houve outro alguém que os escreveu.

 

Hei-de juntá-los todos, um a um

Por ordem crescente ou decrescente

Sonhos, fantasias, alegrias, gritos

Depois vou baralhá-los.

 

Mais tarde, lê os meus versos, se quiseres

Tavez encontres um pedacinho de ti

Um engano, uma ilusão, uma alegria

Bagatelas!

 

Outra mulher escreveu os meus poemas

Não fui eu!

Tantas lutas!

Tantas esperanças!

Para quê?

Fecho o livro. Ponho-o de lado.

                                                     Aida Nuno

 

NOTA:  Devido a muitos pedidos feitos, ponho o meu livro à vossa disposição, por uma quantia simbólica,  sendo enviado via CTT, contra cobrança.

Contacto via e-mail.

 


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Quinta-feira, 29 de Março de 2007
Mãos

Adaptam-se as mãos

Ao contorno de um corpo,

De um rosto, de uma mão

Ao dorso de um cão

Ao remo de um barco

Ao esticar de um arco.

 

Adaptam-se as mãos

A trepar um muro

A apalpar no escuro

A jogar a sorte.

 

Inadaptadas mãos

Ficam sem força

Inertes, vazias

Quando um desgosto

Entra no corpo

E se refugia na alma.

 

Não seguram

Não mexem

Não arrecadam

Não sentem.

 

Pobres mãos...

                                        Aida Nuno

                                                                                   


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Segunda-feira, 26 de Março de 2007
Preguiça

 

Placidamente me espreguiço

Bocejo

Tranquilamente projecto no tecto

O pensamento do nada

Um cão ladra lá fora

Um carro passa

Eu fico olhando o tecto.

 

Uma aranha estática

Espera um sobressalto

Para correr, fugir, sobreviver.

 

Podes cair sobre mim

Eu não te mato

Resisto a destruir a tua teia

Reduzir-te a nada

Neste momento não existo.

 

Placidamente olho o tecto

Não ambiciono

Não desejo, não castigo

Tece a tua teia aranha

Eu deixo

Eu não te mato.

 

                                       Aida Nuno

 


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Quarta-feira, 14 de Março de 2007
Ambição

Não quero que os dias sejam iguais

E as horas batam certas

Não quero ritmos constantes

Alucinantes em monotonia.

 

Sintonia do dia-a-dia

Em perfeita harmonia

Estruturada em horas certas

Acabando sempre igual ao fim do dia.

 

Não quero a noite

Com portas fechadas, janelas cerradas

Esperando a monotonia de um outro dia.

 

Quero remoinhos de vento

Que me elevem em espiral, sem um lamento

Lá no alto, entre a terra e o céu

Eu olharei as estradas iguais

As portas fechadas

As janelas cerradas

E o fervilhar de gente

Com as horas certas

E as vidas correctas.

 

Não importa que o vento amaine

A minha alma caia a pique e ferida fique.

 

Vivi a emoção de ser elevada

Vi noites estreladas, resplandecentes

Vi de perto o sol em luz zodiacal

E no final

Em que o sopro da morte é sempre igual

E bate na hora certa

Eu sorrirei porque me elevei

Estive lá no alto entre a terra e o céu

E me senti viva.

 

                                                          Aida Nuno


sinto-me: ambiciosa

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Domingo, 4 de Março de 2007
A Espera

   

    Há sempre um momento

    Em que a luz define a madrugada

 

    Pálida, muito pálida

    Como a blusa que veste

    Olha a mulher pela janela

    Esperando o sol que aquece

 

    Nada vê, nada sente

    O momento ainda não chegou

    Não, não está doente!

    Nem nada de importante se passou

    É isso, é isso

    Nada de importante se passou

 

    Um ano sobre um ano ela usou

    Foi perdendo o viço

    A côr da blusa não mudou

    O sono, esse não vem, já se cansou

    Pálida, muito pálida

    Esforça o gesto

    O vidro da janela embaciou.

                                                                              Aida Nuno

                                                            


sinto-me: bem escrevendo

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Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2007
Silêncio

                                                 

  

    No silêncio penso as palavras

    E no silêncio me esgoto

    Os dias absorvem-me os gestos

    Só os passos são constantes

    Intermitente é a consciência!

 

                                                             Fluem as palavras convenientes

                                                             Isolam-se os pensamentos

                                                             No silêncio que me esgota.

                                                          

      Aida Nuno


sinto-me: esgotada

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Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007
A Máscara

 

    A máscara está no rosto

    A imagem está perfeita

    Somos o que não somos

    Não há suspeita.

 

    Somos o que não somos

    A verdade do que somos

    Não tem graça

    Põe a máscara, sorri.

 

   O pensamento é nosso

   Também os sonhos

   Disfarçamos com palavras

   O que nós somos.

 

   Mas, no momento certo

   Quando a madrugada é fria

   E o sol ainda vem longe

   Mostramos o que somos...mas a sós

                                                          

                                                                                      Aida Nuno   


sinto-me: muitas vezes mascarada

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Resgate

   

       O mar me envolve

       Leva-me para longe...

       Desenraizei-me da Terra

       Sem murta, nem espigas.

 

       A Terra

       De mim se desprendeu

       Como um vestido

       Fujo sem dor

       Sem um gemido.

 

       Chamo sem voz

       O mar se revoltou

       Incharam encapeladas

       As suas vagas

       Dádiva eu sou

       Deixo para trás a Terra

       Habito nas suas águas.

 

       Imensidão de mar!

       Que não se acalma

       No seu rolo

       Vêm as ondas

       Quebrar na praia

       Do seu lodo

       Resgato a minha alma.

                                        

                                                                                        Aida Nuno


sinto-me: por vezes confusa
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