Sonhou a terra e nasceram os poetas. Tantos temas de amor! Tantos profetas! Fala-me de amor poeta, hoje há luar. Há pouco o sol nasceu e me acordou, longo vai ser o dia e ainda não passou. Consumo a claridade que me consome. Resisto.
Sábado, 28 de Abril de 2007
Imagens
O cansaço tomou-me, deslaçou-me
Vou ficar nesta lassidão
De nada ver, de nada querer
Como alguém que desfalece
Cai de borco e fica morto.

Abro os olhos devagar
As paredes do quarto
Ainda lá estão
Com retratos suspensos
Por um fio
Neste vaguear vazio sinto
Recordação a recordação
Que eu retive
Como novelos de aço
Que eu não deslaço
Onde estão agora os bibes?

Fugiram as crianças
Deixaram de brincar
Ficaram as imagens
De momentos, de paisagens.

A Vida sempre a seguir
Indiferente aos meus desejos
Sentir na minha face inocentes beijos
Vou virar a almofada
Estou tão cansada!
Quero dormir.

                                                Aida Nuno

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Quarta-feira, 18 de Abril de 2007
Tão ao de leve...

 

 

    

Deixo-me esvoaçar…Não tenho asas

Ao de leve vou. Tão ao de leve

Mergulho o meu olhar noutro tão breve

Breve é a nuvem que tão leve passa.

  

Onde vais gaivota em voo tão leve?

O céu na noite azul, tem luz vinda da terra

A noite em brancas asas assim me encerra

Quem esvoaça? O grito? A luz? As asas?

 

Dou o grito à noite. Da brisa me alimento

A lágrima essa secou, levou-a o vento

Por mim a gaivota desdobrou as asas.

 

No céu da noite azul eu vou voando.

Uma leve brisa vai por mim passando

Por mim a gaivota desdobrou as asas.

 

 

                                        Aida Nuno 

 


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Sexta-feira, 6 de Abril de 2007
Bagatelas

 

 

 

Não me peças para te ler os meus poemas

Eu quero, por agora, que sejam só meus

Um dia, de tanto os ler, hei-de pensar

Que houve outro alguém que os escreveu.

 

Hei-de juntá-los todos, um a um

Por ordem crescente ou decrescente

Sonhos, fantasias, alegrias, gritos

Depois vou baralhá-los.

 

Mais tarde, lê os meus versos, se quiseres

Tavez encontres um pedacinho de ti

Um engano, uma ilusão, uma alegria

Bagatelas!

 

Outra mulher escreveu os meus poemas

Não fui eu!

Tantas lutas!

Tantas esperanças!

Para quê?

Fecho o livro. Ponho-o de lado.

                                                     Aida Nuno

 

NOTA:  Devido a muitos pedidos feitos, ponho o meu livro à vossa disposição, por uma quantia simbólica,  sendo enviado via CTT, contra cobrança.

Contacto via e-mail.

 


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