Sonhou a terra e nasceram os poetas. Tantos temas de amor! Tantos profetas! Fala-me de amor poeta, hoje há luar. Há pouco o sol nasceu e me acordou, longo vai ser o dia e ainda não passou. Consumo a claridade que me consome. Resisto.

Sexta-feira, 6 de Abril de 2007
Bagatelas

 

 

 

Não me peças para te ler os meus poemas

Eu quero, por agora, que sejam só meus

Um dia, de tanto os ler, hei-de pensar

Que houve outro alguém que os escreveu.

 

Hei-de juntá-los todos, um a um

Por ordem crescente ou decrescente

Sonhos, fantasias, alegrias, gritos

Depois vou baralhá-los.

 

Mais tarde, lê os meus versos, se quiseres

Tavez encontres um pedacinho de ti

Um engano, uma ilusão, uma alegria

Bagatelas!

 

Outra mulher escreveu os meus poemas

Não fui eu!

Tantas lutas!

Tantas esperanças!

Para quê?

Fecho o livro. Ponho-o de lado.

                                                     Aida Nuno

 

NOTA:  Devido a muitos pedidos feitos, ponho o meu livro à vossa disposição, por uma quantia simbólica,  sendo enviado via CTT, contra cobrança.

Contacto via e-mail.

 


sinto-me: generosa

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Quinta-feira, 29 de Março de 2007
Mãos

Adaptam-se as mãos

Ao contorno de um corpo,

De um rosto, de uma mão

Ao dorso de um cão

Ao remo de um barco

Ao esticar de um arco.

 

Adaptam-se as mãos

A trepar um muro

A apalpar no escuro

A jogar a sorte.

 

Inadaptadas mãos

Ficam sem força

Inertes, vazias

Quando um desgosto

Entra no corpo

E se refugia na alma.

 

Não seguram

Não mexem

Não arrecadam

Não sentem.

 

Pobres mãos...

                                        Aida Nuno

                                                                                   


sinto-me:

publicado por criar e ousar às 21:07
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Segunda-feira, 26 de Março de 2007
Preguiça

 

Placidamente me espreguiço

Bocejo

Tranquilamente projecto no tecto

O pensamento do nada

Um cão ladra lá fora

Um carro passa

Eu fico olhando o tecto.

 

Uma aranha estática

Espera um sobressalto

Para correr, fugir, sobreviver.

 

Podes cair sobre mim

Eu não te mato

Resisto a destruir a tua teia

Reduzir-te a nada

Neste momento não existo.

 

Placidamente olho o tecto

Não ambiciono

Não desejo, não castigo

Tece a tua teia aranha

Eu deixo

Eu não te mato.

 

                                       Aida Nuno

 


sinto-me: com preguiça
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publicado por criar e ousar às 13:49
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Quarta-feira, 14 de Março de 2007
Ambição

Não quero que os dias sejam iguais

E as horas batam certas

Não quero ritmos constantes

Alucinantes em monotonia.

 

Sintonia do dia-a-dia

Em perfeita harmonia

Estruturada em horas certas

Acabando sempre igual ao fim do dia.

 

Não quero a noite

Com portas fechadas, janelas cerradas

Esperando a monotonia de um outro dia.

 

Quero remoinhos de vento

Que me elevem em espiral, sem um lamento

Lá no alto, entre a terra e o céu

Eu olharei as estradas iguais

As portas fechadas

As janelas cerradas

E o fervilhar de gente

Com as horas certas

E as vidas correctas.

 

Não importa que o vento amaine

A minha alma caia a pique e ferida fique.

 

Vivi a emoção de ser elevada

Vi noites estreladas, resplandecentes

Vi de perto o sol em luz zodiacal

E no final

Em que o sopro da morte é sempre igual

E bate na hora certa

Eu sorrirei porque me elevei

Estive lá no alto entre a terra e o céu

E me senti viva.

 

                                                          Aida Nuno


sinto-me: ambiciosa

publicado por criar e ousar às 19:04
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Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007
A Máscara

 

    A máscara está no rosto

    A imagem está perfeita

    Somos o que não somos

    Não há suspeita.

 

    Somos o que não somos

    A verdade do que somos

    Não tem graça

    Põe a máscara, sorri.

 

   O pensamento é nosso

   Também os sonhos

   Disfarçamos com palavras

   O que nós somos.

 

   Mas, no momento certo

   Quando a madrugada é fria

   E o sol ainda vem longe

   Mostramos o que somos...mas a sós

                                                          

                                                                                      Aida Nuno   


sinto-me: muitas vezes mascarada

publicado por criar e ousar às 15:37
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